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Cesare Battisti chega à Itália após quase 40 anos foragido e será levado a presídio em Roma
Ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, publicou nas redes sociais imagens que mostram o italiano já dentro do avião.
Redação
Postada em 14/01/2019 às 12h24
Cesare Battisti chega à Itália após quase 40 anos foragido e será levado a presídio em Roma

Cesare Battisti é escoltado nesta segunda-feira (14), após descer de avião que o trouxe da Bolívia até Roma, na Itália — Foto: Alberto Pizzoli / AFP

O avião com o italiano Cesare Battisti chegou ao aeroporto de Ciampino, em Roma, nesta segunda-feira (14). Ele foi entregue pela polícia boliviana às autoridades da Itália na cidade de Santa Cruz de La Sierra, onde foi preso no sábado (12).


Battisti será levado para um presídio na periferia de Roma. No trajeto, patrulhas fecharão os acessos para que o comboio chegue rapidamente ao local, segundo o jornal “Corriere della Sera”. O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, anunciou que iria ao aeroporto para receber Battisti, a quem ele chama de “assassino comunista”.


O italiano, que integrou o grupo Proletários Armados pelo Comunismo, foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos cometidos nos anos 1970. Ele afirma que nunca matou ninguém e se diz vítima de perseguição política. 



Foram 37 anos de fuga permanente, com períodos de prisão e lutas político-judiciais para evitar a Justiça da Itália. Battisti escapou do seu país na década de 1980, viveu na França, no Brasil e, mais recentemente, havia se escondido na Bolívia. 


O ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, publicou no Twitter fotos de Cesare Battisti no avião que decolou da Bolívia com destino à Itália neste domingo (13).


O avião decolou por volta das 19h do aeroporto Viru Viru, em Santa Cruz de La Sierra, cidade a cerca de 850 quilômetros da capital da Bolívia, La Paz. Segundo a imprensa italiana, a previsão é de que Battisti desembarque no aeroporto de Ciampino, em Roma, por volta das 14h (horário local) desta segunda-feira (14).


O italiano Cesare Battisti foi preso na noite de sábado em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia. A prisão foi feita pela polícia boliviana. Ele era considerado foragido desde 14 de dezembro, quando o então presidente Michel Temer assinou o decreto de extradição.


Entenda o caso


Battisti foi condenado à prisão perpétua em 1993 sob a acusação de ter cometido quatro assassinatos na Itália nos anos 1970.


Battisti fugiu da Itália, viveu na França e chegou ao Brasil em 2004. Ele foi preso no Rio de Janeiro em março de 2007 e, dois anos depois, o então ministro da Justiça, Tarso Genro, concedeu refúgio.


Em 2007, a Itália pediu a extradição dele e, no fim de 2009, o STF julgou o pedido procedente, mas deixou a palavra final ao presidente da República. Na época, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou a extradição.


Em setembro de 2017, o governo italiano pediu ao presidente Michel Temer que o Brasil revisasse a decisão sobre Battisti.


No fim do ano passado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao STF que desse prioridade ao julgamento que poderia resultar na extradição.


Um mês depois do pedido da PGR, o ministro Luiz Fux, mandou prender o italiano e abriu caminho para a extradição, no início de dezembro.


Na decisão, o ministro autorizou a prisão, mas disse que caberia ao presidente extraditar ou não o italiano porque as decisões políticas não competem ao Judiciário.


No dia seguinte da decisão de Fux, o então presidente Michel Temer autorizou a extradição de Battisti.


Desde então, a PF deflagrou uma série de operações para prender Battisti. No final de dezembro, a PF já tinha feito mais de 30 operações na tentativa de localizar o italiano.


Battisti nega envolvimento com os homicídios e se diz vítima de perseguição política. Em entrevista em 2014 ao programa Diálogos, de Mario Sergio Conti, na GloboNews, ele afirmou que nunca matou ninguém.


Com informações do G1

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