O preço do gás de cozinha (GLP) deve sofrer um novo aumento no Piauí a partir desta semana, pressionando ainda mais o orçamento das famílias. Segundo o Sindicato dos Revendedores de Gás Liquefeito de Petróleo do estado (Sindirgás), o reajuste deve variar entre R$ 7 e R$ 10 por botijão de 13 quilos.
Com a mudança, o valor médio do produto pode ficar entre R$ 120 e R$ 145, dependendo da região. Em algumas localidades, o botijão já atinge os preços mais altos dessa faixa.
De acordo com o setor, o aumento começa a ser sentido a partir desta quarta-feira (8) e reflete uma sequência de reajustes ao longo do ano. Desde janeiro, o gás de cozinha já acumula alta de aproximadamente R$ 45 no estado.
Entenda os motivos do aumento
O presidente do Sindirgás, Valtercides Sousa, explica que o reajuste é resultado de uma série de fatores, tanto internos quanto externos. Um dos principais pontos foi um leilão realizado no dia 31 de março, que elevou o custo do produto.
Além disso, toda a cadeia logística impacta no preço final.
“Tem toda uma cadeia: diesel, gasolina, pneu, peças, mão de obra, tudo interfere na nossa operação”, destacou.
Outro fator relevante é o cenário internacional. O conflito no Oriente Médio, envolvendo Irã e Estados Unidos, tem influenciado diretamente os preços, já que o Brasil importa cerca de 25% do gás que consome. Com isso, a alta no mercado externo acaba sendo repassada ao consumidor.
Aumentos em 2026
Este é o segundo reajuste significativo do ano. O primeiro ocorreu em janeiro, com impacto do ICMS, que elevou o preço em R$ 1,04. Já o aumento atual está relacionado principalmente ao cenário internacional e aos custos de comercialização.
Segundo o vice-presidente do sindicato, Tiago Pinheiro, o aumento mais recente começou a se desenhar no início de abril, quando as revendedoras passaram a comprar o produto cerca de R$ 7 mais caro.
Impacto no bolso do consumidor
Com o novo reajuste, o gás de cozinha — item essencial no dia a dia — pesa ainda mais no orçamento das famílias piauienses. A recomendação de especialistas é reorganizar as finanças para absorver o aumento.
O economista Francisco Sousa afirma que será necessário rever despesas:
“Você vai ter que cortar itens que não são essenciais para conseguir arcar com os custos básicos.”
Ele também aponta que medidas governamentais, como a redução de impostos, poderiam ajudar a conter a alta.
Medidas para conter o aumento
Para tentar minimizar os impactos, o Governo Federal anunciou uma medida provisória que prevê uma subvenção de R$ 850 por tonelada de gás importado, com validade inicial de dois meses.
A iniciativa busca reduzir a diferença entre o preço internacional e o praticado no Brasil, evitando novos aumentos ao consumidor final e garantindo o abastecimento.
Reflexo no programa Gás do Povo
O reajuste também pode afetar o programa social “Gás do Povo”. Segundo o sindicato, o valor repassado pelo governo — cerca de R$ 102,60 por botijão — já não acompanha o preço atual de mercado.
De acordo com Tiago Pinheiro, pode haver cobrança adicional apenas referente à entrega do produto aos beneficiários.
“O valor repassado está muito abaixo diante dos aumentos do diesel e do gás”, explicou.
Tendência
Apesar da medida federal, o cenário ainda é de instabilidade. Fatores externos, como o mercado internacional e conflitos geopolíticos, continuam influenciando diretamente o preço do gás, o que mantém a preocupação entre consumidores e o setor.