O ator e humorista piauiense Feliciano Macêdo do Nascimento, conhecido nacionalmente como Feliciano Popó, morreu nesta quinta-feira (25), aos 81 anos. O artista ficou eternizado pelo papel do prefeito Zé Leitão no filme “Ai Que Vida!”, um dos maiores fenômenos do cinema regional nordestino, produzido na cidade de Amarante, no Piauí.
A notícia da morte foi confirmada por familiares e amigos e causou grande comoção entre fãs, artistas e admiradores do cinema piauiense. Segundo informações divulgadas pelo cineasta Cícero Filho, diretor de “Ai Que Vida!”, Feliciano já enfrentava problemas de saúde nos últimos anos. Inicialmente, foi informado que o ator teria sofrido um infarto. Posteriormente, o diretor afirmou que a causa oficial da morte ainda não havia sido divulgada pela família.
Feliciano Popó estava em Açailândia, no Maranhão, onde residia atualmente. Natural de Pedro II, no Piauí, ele cresceu em Poção das Pedras, no Maranhão, e construiu uma trajetória de vida marcada por muito trabalho antes de alcançar reconhecimento artístico.
Antes de ingressar definitivamente no mundo do entretenimento, trabalhou em fazendas realizando serviços braçais, atuou como vigilante noturno e também foi garimpeiro em Serra Pelada, no Pará. Foi justamente nesse período que teve seu primeiro contato com o cinema, participando como figurante do filme “Os Trapalhões na Serra Pelada”.
O grande salto em sua carreira aconteceu quando recebeu o convite do cineasta Cícero Filho para interpretar o prefeito Zé Leitão em “Ai Que Vida!”, longa-metragem lançado em 2008 e produzido em Amarante. Com seu jeito irreverente, carisma e humor espontâneo, Feliciano transformou o personagem em um dos mais queridos e lembrados do cinema nordestino.
O prefeito Zé Leitão tornou-se um verdadeiro símbolo cultural, conquistando gerações de espectadores e ajudando a projetar o filme para além das fronteiras do Piauí. Mesmo após quase duas décadas de seu lançamento, “Ai Que Vida!” continua sendo exibido, compartilhado nas redes sociais e lembrado pelo público como uma das produções mais populares do cinema independente brasileiro.
Nas redes sociais, Cícero Filho lamentou profundamente a perda do amigo e parceiro de trabalho.
“Inesquecível intérprete do prefeito Zé Leitão, personagem que marcou para sempre a história do nosso filme ‘Ai Que Vida!’, o maior sucesso da nossa trajetória. Neste momento de profunda tristeza, manifestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e aos milhares de fãs que aprenderam a admirar seu talento, carisma e generosidade”, escreveu o diretor.
Em outra homenagem, Cícero destacou o legado deixado pelo artista.
“Feliciano deixa um legado que permanecerá vivo na memória do cinema nordestino e no coração de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo e de rir com seu inesquecível personagem. Descanse em paz, querido amigo. Sua arte será eterna.”
A atriz Irisceli Queiroz, que interpretou a personagem Charlene em “Ai Que Vida!”, também se manifestou sobre a perda.
“Estou muito triste com essa notícia. Que Deus conforte o coração de dona Maria e toda a sua família. Que você seja recebido com muita festa e alegria no céu. Nosso encontro não deu certo nesse plano, mas quem sabe em outro”, escreveu.
Feliciano Popó estava cotado para participar da continuação de “Ai Que Vida!”, cuja estreia está prevista para 2027. Sua morte representa uma perda significativa para a cultura popular nordestina e para o cinema produzido no Piauí.
Além do personagem que o consagrou, o ator participou de diversas produções independentes que ajudaram a fortalecer o audiovisual regional, entre elas “Dê uma Xânxa ao Amor”, “No Tempo da Besteira”, “Os Caipiras em Busca de um Sonho”, “Moleque Té Doido 3 e 4”, “O Incrédulo” e “Agora Bem Aí Minha Cara Racha (Os Aventureiros)”.
Com sua simplicidade, autenticidade e talento natural para o humor, Feliciano Popó deixa uma marca permanente na história do cinema nordestino. Para milhares de fãs, ele será lembrado para sempre como o inesquecível Zé Leitão, personagem que ajudou a transformar um filme produzido em Amarante em um dos maiores sucessos da cultura popular brasileira.