Polícia Mandado de prisão
Polícia prende técnica de enfermagem suspeita de tentar sequestrar recém-nascida na Maternidade Evangelina Rosa
Auricélia de Sousa Rocha foi presa após receber alta de hospital psiquiátrico; caso teve grande repercussão, levou ao afastamento de uma enfermeira supervisora e motivou nota da defesa negando qualquer envolvimento dela no crime.
08/07/2026 10h26 Atualizada há 2 horas
Por: Redação
Imagem: Divulgação/PC-PI

A Polícia Civil do Piauí prendeu, na manhã desta quarta-feira (8), a técnica de enfermagem Auricélia de Sousa Rocha, investigada por tentar sequestrar uma recém-nascida na Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina. O mandado de prisão preventiva foi cumprido por equipes da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), responsável pela investigação do caso.

Segundo a Polícia Civil, a prisão foi realizada logo após a suspeita receber alta do Hospital Areolino de Abreu, onde havia sido internada após atendimento médico. De acordo com o delegado Hugo Alcântara, durante as diligências foi constatado que a investigada havia dado entrada na unidade psiquiátrica na terça-feira (7), permanecendo internada por recomendação médica durante pelo menos 24 horas.

Recém-nascida que sofreu tentativa de sequestro em maternidade de Teresina — Foto: Vitória Bacelar - g1

Após a alta hospitalar, Auricélia foi abordada pelos policiais e conduzida à delegacia, onde será interrogada. Em seguida, ela será submetida à audiência de custódia.

A delegada Rosa Chaib informou que, desde que a ocorrência foi registrada, a investigação foi tratada como prioridade. “Desde o primeiro momento que tomamos conhecimento, já demos início aos ofícios necessários, conseguimos ouvir todos os envolvidos ainda ontem, representamos pela prisão preventiva e hoje já demos cumprimento ao mandado. Agora vamos interrogá-la”, afirmou.

Como aconteceu a tentativa de sequestro

O caso ocorreu na tarde da última segunda-feira (6) e causou grande repercussão no Piauí. Conforme as investigações, Auricélia trabalhava na maternidade e utilizou o livre acesso às dependências da unidade para se aproximar da família da recém-nascida.

Segundo a delegada Rosa Chaib, a suspeita se apresentou aos familiares e afirmou que levaria o bebê para realizar exames de rotina. Em seguida, colocou a criança no colo, entrou em um banheiro carregando uma sacola, trocou de roupa e colocou o bebê dentro da bolsa.

A ação foi interrompida graças à desconfiança da acompanhante da mãe, que percebeu a movimentação incomum, entrou no banheiro e encontrou a recém-nascida dentro da sacola. A criança foi imediatamente resgatada, sem sofrer ferimentos.

A investigada responde por tentativa de sequestro de menor.

Polícia apura motivação

A Polícia Civil ainda investiga a motivação do crime e busca esclarecer todos os detalhes da ação. Imagens do circuito interno de segurança da maternidade e depoimentos de testemunhas fazem parte do inquérito.

Segundo a direção da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, a técnica de enfermagem trabalhava na unidade e foi afastada de suas funções após o ocorrido.

Enfermeira supervisora também foi afastada

Em meio à repercussão do caso, a direção da maternidade informou que uma enfermeira supervisora também foi afastada preventivamente das atividades.

A medida foi adotada após familiares da criança relatarem que a profissional teria afirmado conhecer a suspeita da tentativa de sequestro, circunstância que passou a ser investigada pela Polícia Civil.

Em nota, a maternidade informou que registrou Boletim de Ocorrência ainda no dia dos fatos, forneceu imagens das câmeras de segurança às autoridades e garantiu assistência integral à mãe, ao bebê e aos familiares.

A unidade afirmou ainda que o afastamento ocorreu como medida administrativa até a conclusão das investigações, reafirmando o compromisso com a transparência e a segurança dos pacientes.

Defesa nega envolvimento da enfermeira

A defesa da enfermeira supervisora Ingrid Ohana Gomes da Cruz Galvão divulgou nota pública negando qualquer participação da profissional na tentativa de sequestro.

Segundo a advogada Tamires Silva Rodrigues, Ingrid exercia normalmente suas funções no momento da ocorrência e colaborou com os protocolos internos de segurança adotados pela maternidade.

A defesa afirma que a enfermeira compareceu espontaneamente à Delegacia de Polícia para prestar esclarecimentos e que sua imagem foi indevidamente associada ao crime após acusações feitas por terceiros e reproduzidas por veículos de comunicação.

Ainda conforme a nota, a defesa confia que a investigação demonstrará a inexistência de qualquer envolvimento da profissional com a tentativa de retirada da recém-nascida e solicita que o posicionamento tenha o mesmo destaque dado às informações anteriormente divulgadas sobre o caso.

Enquanto as investigações prosseguem, a Polícia Civil busca concluir o inquérito para esclarecer completamente as circunstâncias da tentativa de sequestro e eventual participação de outras pessoas.