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Motoristas e cobradores de ônibus entram em greve e 70% da frota para de circular em Teresina

Segundo o sindicato da categoria, as empresas não têm feito o pagamento de 30% da suspensão de contrato e benefícios. Vale-alimentação e plano de saúde também não estão sendo pagos.

13/10/2020 12h19 Atualizada há 3 semanas
Por: Redação

Motoristas e cobradores do transporte coletivo de Teresina decidiram entrar em greve nesta terça-feira (13). Com a paralisação, anunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro) na sexta-feira (9), apenas 30% da frota de ônibus da capital está circulando.

Procurado, o Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (Setut) disse que não houve uma comunicação formal do sindicato sofre a greve, conforme previsão legal. Leia nota na íntegra ao fim da reportagem.

A Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) afirmou que não foi notificada pelo sindicato dentro do prazo de 72 horas úteis, determinado por lei.

De acordo com Paulo Rosenberg, secretário de finanças do Sintetro, a categoria decidiu pela greve em assembleia. “Por motivo do descumprimento da Medida Provisória 936, não pagamento dos 30%, não pagamento dos tickets alimentação e não pagamento do plano de saúde”, afirmou.

“Os pontos finais não têm as mínimas condições dos trabalhadores exercerem seus trabalhos, não tem a mínima estrutura pra os trabalhadores fazerem suas necessidades fisiológicas”, completou.

Segundo o sindicalista, os trabalhadores estão vivendo um momento delicado. “Estão sem saber o que fazer com essa situação. Nos terminais estão acontecendo muitos assaltos e não tem nenhuma estrutura para cumprir o protocolo de segurança da pandemia, sem EPIs adequados”, disse.

Veículos alternativos

O superintendente Weldon Bandeira, da Strans, contou que 57 vans e ônibus que operaram durante a última greve devem fazer o transporte dos usuários e novos veículos devem ser contratados ao longo do dia.

"Fomos surpreendidos. Fomos comunicados pelo Sintetro sobre esse movimento grevista na sexta (9), no fim do expediente. A lei diz que teríamos que ser comunicados com 72 horas úteis, no mínimo. Felizmente mantivemos o cadastro da última greve para dar reforço à frota mínima estabelecida", explicou.

Weldon Bandeira disse que o Ministério Público do Trabalho (MPT) será acionado. "O sindicato não nos apresentou nenhuma pauta de reivindicações. O usuário que necessitar do transporte alternativo poderá fazer o pagamento da passagem com vale transporte ou em dinheiro no valor de R$ 4,00. Não será aceita meia passagem”, declarou.

Conforme o superintendente, na greve anterior, o MPT determinou que 70% da frota deveria funcionar nos horários de pico. "Enviamos fiscais às garagens para que fosse detectado qualquer problema na liberação da quantidade mínima de veículos por parte da Justiça. Se não houve a liberação por parte da categoria, o órgão será acionado", informou.

A Strans vai continuar cadastrando veículos alternativos. “Durante toda a semana estaremos abertos ao cadastramento. Como o sistema de bilhetagem eletrônica não é implantado nos alternativos, nesse primeiro momento, só será possível o pagamento da tarifa inteira de R$4,00. Qualquer abuso ou cobrança a mais, deve ser comunicado à Strans”, disse Weldon Bandeira.

Enquanto trabalhadores e empresários resolver os impasses, os usuários sofrem os efeitos. “Já tinha esse problema de ficar esperando na parada de ônibus e agora piorou. Estou indo para um curso e até avisei para os professores que não está adiantando esperar, porque não vou conseguir chegar no horário certo”, relatou uma usuária.

Um idoso afirmou que já estava esperando um ônibus há duas horas sem saber sobre a greve. "Sou diabético, não posso passar fome nem sede e estou esperando desde antes de 6h. Eu acho que é um descaso para a população de uma capital", desabafou.

Nota do Setut na íntegra:

O Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina (SETUT) informa que recebeu com estranheza a deflagração de greve por motoristas e cobradores nesta terça-feira, dia 13.

A entidade reforça que não houve uma comunicação formal do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários do Piauí (Sintetro), conforme previsão legal, para o SETUT e a Strans.

O Sindicato lamenta a atitude ilegal da categoria que na manhã de hoje (13) não permitiu que nenhum veículo saísse das garagens, infringindo, mais uma vez, a última decisão do TRT e MPT que determinou em agosto passado, que 70% da frota circulasse em horário de pico e 30% em horário entrepico.

Além disso, a entidade repudia a intransigência da categoria laboral que fez várias ameaças de depredação de ônibus, caso os mesmos fossem liberados das garagens e circulassem pela cidade.

O SETUT informa que acionará o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) ainda hoje para que os órgãos intercedam diante de tantos atos ilegais contra a população, principal prejudicada com o movimento grevista.

Vale ressaltar que as empresas vêm cumprido com os pagamentos da folha aos seus colaboradores (motoristas, cobradores e demais setores). Sobre o ticket alimentação e plano de saúde, a entidade esclarece que desde de janeiro de 2020, as empresas estão desobrigadas a pagar, uma vez que estes itens não foram motivos de negociação coletiva para 2020.

Portanto, não há obrigação legal. As empresas destacam ainda que motoristas e cobradores têm recebido material de Proteção Individual, conforme é previsto pelo Plano de Segurança do Transporte Público.

 Fonte: G1

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