
O prefeito de Regeneração, Eduardo Alves Carvalho, conhecido como Seu Dua, recuou diante da forte reação dos profissionais da educação e da possibilidade concreta de sofrer uma derrota política na Câmara Municipal. Horas antes da sessão que votaria o Projeto de Lei nº 04/2026, marcada para o dia 12 de junho, o gestor enviou ofício ao Legislativo solicitando a retirada da matéria para “adequações”.
A decisão foi interpretada por professores, lideranças sindicais e parte da classe política como uma admissão de que a proposta enfrentava rejeição popular e dificuldades para ser aprovada até mesmo entre vereadores da base governista.
O projeto, apelidado pelos educadores de “Plano de Desmonte”, promovia mudanças profundas no Plano de Cargos, Carreira e Remuneração do Magistério Municipal. Segundo a categoria, o texto retirava direitos historicamente conquistados, alterava regras de progressão funcional, impactava vantagens por tempo de serviço e criava insegurança para futuros profissionais que aguardam a realização de concurso público.
A polêmica tomou conta do município ao longo das últimas semanas. Professores realizaram reuniões, audiências públicas, manifestações e mobilizações para alertar a população sobre os impactos da proposta. A categoria também divulgou notas públicas, denunciando o que considerava um retrocesso para a educação municipal.
Votação foi interrompida após pedido de vista
O desgaste político do projeto já havia ficado evidente na sessão realizada em 29 de maio. Na ocasião, diversos vereadores sinalizavam voto contrário à matéria, o que indicava uma provável derrota do Executivo.
No momento em que o projeto seria colocado em votação, o vereador Samuel da Real apresentou pedido de vista, mecanismo previsto no regimento da Câmara que suspende temporariamente a apreciação da matéria.
A atitude provocou forte reação entre os professores presentes, que interpretaram a medida como uma tentativa de evitar uma derrota imediata do prefeito. A categoria passou a criticar duramente o parlamentar, alegando que o pedido serviu apenas para adiar um resultado já considerado inevitável.
Pressão dos professores foi decisiva
A mobilização dos profissionais da educação cresceu ao longo da tramitação do projeto. Em notas divulgadas à população, os educadores afirmaram que a proposta representava perdas significativas para a carreira do magistério.
Entre os principais questionamentos levantados pela categoria estavam:
Os professores também cobraram transparência sobre as chamadas “adequações” anunciadas pelo Executivo e defenderam que qualquer nova proposta seja discutida amplamente com a categoria antes de retornar à Câmara.
Pedido de retirada é visto como reconhecimento de erro
Nos bastidores políticos, a retirada do projeto foi interpretada como um reconhecimento de que a matéria foi encaminhada sem o devido consenso e sem apoio suficiente para aprovação.
A avaliação predominante é que o prefeito percebeu o elevado custo político de insistir na votação de uma proposta amplamente rejeitada pelos profissionais da educação e que já provocava desgaste junto à opinião pública.
O cenário tornou-se ainda mais delicado porque vereadores da própria base governista demonstravam resistência ao projeto, evidenciando um possível racha político em torno da matéria.
Ao solicitar oficialmente a devolução do projeto, Seu Dua evitou uma derrota formal em plenário, mas não conseguiu impedir o desgaste político provocado pela discussão.
Popularidade afetada
A crise envolvendo o Projeto de Lei nº 04/2026 gerou uma das maiores mobilizações recentes do funcionalismo municipal em Regeneração.
A repercussão negativa entre professores, servidores e familiares colocou a gestão sob forte pressão. Nas redes sociais, grupos de mensagens e debates públicos, a proposta passou a ser associada à retirada de direitos históricos do magistério.
Para analistas locais, o episódio representa um dos momentos de maior desgaste político enfrentados pelo prefeito nos últimos anos, especialmente por envolver uma categoria tradicionalmente organizada e influente na formação da opinião pública do município.
Professores mantêm vigilância
Apesar da retirada da proposta, os profissionais da educação afirmam que o movimento continuará mobilizado.
Em posicionamento público, a categoria destacou que a retirada do projeto representa apenas uma vitória parcial e não encerra a discussão.
Os professores exigem que o Executivo informe quais mudanças serão realizadas no texto, qual será o prazo para eventual reapresentação e se haverá novas audiências públicas para debate com a sociedade.
A categoria também informou que continuará acompanhando todas as movimentações relacionadas ao tema e cobrando a preservação dos direitos já garantidos aos profissionais da educação municipal.
Enquanto isso, a retirada do PL nº 04/2026 fica registrada como um dos episódios políticos mais marcantes de 2026 em Regeneração, marcado pela forte mobilização popular, pela reação organizada dos professores e pelo recuo do Executivo diante da pressão social e política.
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