
O que começou como um sonho compartilhado entre dois estudantes do ensino médio se transformou em uma produtora audiovisual que já chama atenção entre os amantes do cinema independente. Fundada em fevereiro de 2025 pelos jovens Gabrielle Barcelos e Leonardo de Carvalho, ambos com apenas 17 anos, a Skyline Produções nasceu da vontade de contar histórias capazes de emocionar o público, mesmo enfrentando limitações financeiras e estruturais.

Em entrevista exclusiva ao portal, a diretora-geral e produtora Gabrielle Barcelos falou sobre a trajetória da Skyline, os desafios de produzir cinema independente no Brasil, o aguardado longa-metragem “A Longa Estrada” e os planos para o futuro da produtora.
A Skyline Produções surgiu quando Gabrielle e Leonardo descobriram que compartilhavam a mesma paixão pelo cinema. Sem esperar pelas condições ideais, decidiram começar utilizando os recursos que tinham à disposição.
“A Skyline Produções surgiu ainda no ensino médio, quando dois jovens perceberam que compartilhavam o mesmo sonho: contar histórias através do cinema. Mesmo com poucos recursos, começamos a produzir nossos primeiros filmes porque acreditávamos que era possível transformar ideias em realidade. O YouTube foi a nossa porta de entrada para apresentar nosso trabalho ao público e mostrar que o cinema independente também tem espaço.”

Desde então, a produtora lançou os curtas “Canibal de Colinas”, com oito minutos de duração, e “Metamorfose”, de quinze minutos. Em seguida veio o média-metragem “Garoto Colombiano”, produção que alcançou cerca de 10 mil visualizações no YouTube e consolidou o crescimento do canal.
Hoje, a Skyline deseja ir além das visualizações.
“Queremos alcançar pessoas que ainda acreditam no potencial do cinema brasileiro, especialmente das produções independentes. Também esperamos inspirar jovens que sonham em fazer cinema, mostrando que não é preciso esperar pelas condições perfeitas para começar.”
O maior projeto da Skyline Produções até o momento é o longa-metragem “A Longa Estrada”, que acompanha três amigos tentando sobreviver em um mundo devastado por um vírus global.

Apesar da ambientação pós-apocalíptica, Gabrielle faz questão de destacar que o foco da história vai muito além da ação.
“Além da proposta pós-apocalíptica, ‘A Longa Estrada’ é uma história sobre humanidade. Utilizamos um cenário devastado para falar sobre esperança, amizade, perdas e as escolhas que fazemos quando tudo parece perdido. É um filme muito mais emocional do que simplesmente voltado para a trama pós-apocalíptica.”
Ela adianta que o público encontrará uma produção visualmente cuidadosa.
“O público pode esperar uma produção construída com muito cuidado visual, belas paisagens, fotografia natural e personagens que carregam identificação e emoção.”
As filmagens já ultrapassaram a metade do cronograma e, segundo a diretora, cada nova diária tem superado as expectativas da equipe.
As gravações acontecem em diferentes cenários naturais do município de Oliveira, na região de Divinópolis, em Minas Gerais.
Segundo Gabrielle, a escolha pelas locações reais foi estratégica.

“Buscamos valorizar os cenários da nossa própria região, utilizando paisagens reais e evitando cenários artificiais. A fotografia do filme foi construída aproveitando ao máximo a luz natural, os tons do pôr do sol, as sombras e a vegetação, criando uma atmosfera mais sensível e emocional.”
Cada ambiente foi pensado para acompanhar a evolução emocional dos personagens ao longo da narrativa.
Embora a data oficial de lançamento ainda não tenha sido divulgada, a Skyline já definiu o principal objetivo para o filme.

“Nosso objetivo é lançar ‘A Longa Estrada’ no YouTube para que ele alcance o maior número possível de pessoas, mas também temos planos de inscrevê-lo em festivais de cinema e buscar espaço em mostras culturais e plataformas independentes de streaming.”
A expectativa é que o longa fortaleça a marca da produtora e abra portas para novos projetos.
Para Gabrielle Barcelos, um dos maiores obstáculos continua sendo a realidade enfrentada pelos pequenos produtores brasileiros.

“Produzir cinema independente no Brasil ainda é um grande desafio, principalmente por sermos de uma cidade pequena. A maior dificuldade é a falta de apoio financeiro, já que um filme envolve diversos custos, como equipamentos, transporte, figurino e logística.”
Ela afirma que a falta de reconhecimento do potencial do cinema independente dificulta a obtenção de patrocínios e investimentos.
“Mesmo assim, seguimos acreditando que histórias bem contadas e muito trabalho podem abrir portas e conquistar espaço.”
Desde o início, a Skyline optou por formar sua equipe com pessoas apaixonadas pelo audiovisual, muitas delas estreantes.

“Acreditamos muito em ceder oportunidades para atores iniciantes. Queremos crescer ao lado dessas pessoas, desenvolver novos profissionais e construir uma trajetória juntos. Mais do que experiência, buscamos comprometimento, dedicação e vontade de contar boas histórias.”
Na avaliação da diretora, as plataformas digitais mudaram profundamente o cenário audiovisual brasileiro.
“As plataformas digitais democratizaram o acesso ao audiovisual e permitiram que pequenas produtoras alcançassem públicos que antes seriam muito difíceis de atingir.”

Ela acredita que a expansão dos serviços de streaming abrirá ainda mais oportunidades.
“Esperamos conseguir ajudar profissionais iniciantes nesse ramo, trazendo um futuro digno para o cinema brasileiro.”
Mesmo concentrada na conclusão de “A Longa Estrada”, a Skyline já possui diversos roteiros prontos.
“Temos diversos roteiros desenvolvidos com muito carinho e pensados para o futuro da Skyline Produções. Neste momento, nosso foco está totalmente voltado para ‘A Longa Estrada’. Esperamos que esse filme fortaleça a produtora, abra novas portas e permita a criação de novas parcerias.”
Desde os primeiros trabalhos, a equipe aprendeu a adaptar sua linguagem às plataformas digitais sem abrir mão da identidade cinematográfica.
“Buscamos equilibrar uma linguagem cinematográfica com uma produção acessível para o público da internet. Tivemos que adaptar alguns conteúdos às diretrizes das plataformas digitais, mas sem perder a essência das histórias.”
Ao final da entrevista, Gabrielle deixou um recado para quem deseja ingressar no universo audiovisual.
“Todo grande sonho começa com um primeiro passo. Nós começamos ainda na escola, com poucos recursos, muita vontade de aprender e o desejo de contar histórias. Hoje seguimos acreditando que o cinema é capaz de emocionar, transformar e conectar pessoas.”
“Não espere pelas condições perfeitas. Comece com o que você tem, reúna pessoas que acreditam no mesmo sonho e faça acontecer. O equipamento pode evoluir, a técnica pode ser aprendida, mas a paixão por contar histórias é o que realmente move o cinema. Esperamos que a nossa trajetória inspire outras pessoas a acreditarem que é possível começar do zero e construir algo significativo.”

Com criatividade, persistência e paixão pelo audiovisual, a Skyline Produções demonstra que o cinema independente continua encontrando caminhos para crescer. A expectativa agora é pela conclusão de “A Longa Estrada”, produção que promete colocar os jovens mineiros em evidência e reforçar que grandes histórias podem nascer muito longe dos grandes estúdios.
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