
LA Justiça do Piauí condenou Eliseu Lima da Silva a 60 anos de prisão pelo duplo latrocínio — roubo seguido de morte — que vitimou o casal Maria Aparecida de Sousa Lima, de 51 anos, e José Maria de Carvalho, de 55 anos. O crime ocorreu na noite de 18 de setembro de 2025, no povoado Pintadas, zona rural do município de Amarante.
A sentença foi proferida pela Justiça do Piauí na última segunda-feira (18). O réu foi condenado a 30 anos de reclusão pela morte de cada vítima, totalizando 60 anos de prisão em regime inicial fechado, além do pagamento de 720 dias-multa. O juiz também negou ao condenado o direito de recorrer em liberdade.
A informação foi confirmada pelo delegado Saul Laurentino, responsável pelas investigações do caso. Segundo a Polícia Civil, a condenação foi baseada em um conjunto de provas considerado robusto pelo Poder Judiciário.
De acordo com as investigações, o casal chegou em casa e encontrou Eliseu furtando objetos da residência. Após ser flagrado, ele atacou as vítimas com extrema violência utilizando golpes de faca e pauladas. José Maria morreu dentro da casa, enquanto Maria Aparecida foi encontrada morta no quintal da residência.
A decisão judicial destacou a brutalidade do crime. Conforme os laudos periciais, as vítimas sofreram traumatismo craniano grave, politraumatismo e diversas perfurações provocadas por arma branca. A perícia também constatou sinais de luta corporal e manchas de sangue espalhadas pelos cômodos da residência.
Um dos elementos mais impactantes da investigação foi a gravação de áudio captada pelo sistema de câmeras de segurança da residência. Embora a câmera instalada na área externa não tenha registrado imagens do crime, o equipamento gravou os pedidos desesperados de socorro das vítimas durante a ação criminosa.
Trechos mencionados na sentença revelam o grau de crueldade empregado pelo acusado. Em um dos áudios, uma das vítimas suplica: “Deixa ela, rapaz, pelo amor de Deus!”.
As investigações apontaram ainda que Eliseu frequentava a residência do casal e era conhecido das vítimas. Testemunhas relataram que dias antes do crime houve um desentendimento entre o acusado e José Maria após a negativa de fornecimento de capim, situação apontada pela Justiça como possível motivação fútil para o assassinato.
Entre as principais provas apresentadas no processo estão a apreensão de uma televisão e de uma antena roubadas da casa das vítimas, encontradas na residência do acusado e reconhecidas por familiares do casal. A Justiça considerou incompatível a versão apresentada por Eliseu, que alegou ter comprado os objetos de um desconhecido em Teresina pelo valor de R$ 500.
Outro ponto decisivo para a condenação foi o resultado da perícia genética realizada na faca apreendida durante a investigação. Segundo a sentença, o perfil genético de uma das vítimas foi encontrado tanto na lâmina quanto no cabo da arma utilizada no crime.
Conforme relatório da 3ª Companhia do 18º Batalhão da Polícia Militar, os policiais foram acionados por volta das 21h da noite do crime. Ao chegarem ao local, encontraram José Maria sem vida dentro da residência e Maria Aparecida caída no quintal.
Eliseu Lima da Silva foi preso na tarde do dia seguinte ao crime e permanecerá detido para cumprimento da pena. Na decisão, o magistrado ressaltou a necessidade da manutenção da prisão preventiva para garantia da ordem pública e para evitar a possibilidade de reiteração criminosa.
“Não se mostram suficientes e adequadas a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, sendo necessária a decretação da prisão preventiva para acautelar a ordem pública e evitar uma reiteração criminosa”, diz trecho da sentença.
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