
Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, foi reeleito presidente do Brasil neste domingo (25). O petista derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, com quem travou uma disputa acirrada durante toda a campanha.
A reeleição de Lula foi confirmada com cerca de 98% das urnas apuradas. Pela primeira vez na história das eleições presidenciais do país, um candidato que ficou em segundo lugar no primeiro turno conseguiu virar o resultado e vencer no segundo.
No primeiro turno, Flávio teve 56.104.503 votos, o equivalente a 47,03%, enquanto Lula ficou com 53.879.538 votos (45,16%).
Lula é o 39º presidente do Brasil e foi eleito para seu quarto mandato. Lula governou o país entre 2003 e 2010, retornou à Presidência em 2023 e, com a reeleição, permanecerá no cargo até o fim de 2030.
Campanha pelo país
Neste ano, Lula conciliou as agendas como presidente da República com os compromissos como candidato à reeleição.
No primeiro mês da campanha oficial, entre 16 de agosto e 16 de setembro, Lula e Flávio Bolsonaro foram os presidenciáveis que passaram pelo maior número de estados: 11 unidades da Federação cada.
Lula reforçou o discurso de defesa da soberania nacional e fez críticas às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Também explorou temas ligados à renda, emprego, programas sociais e redução das desigualdades.
Próximo ao primeiro turno, o presidente intensificou o discurso contra as betse assinou uma medida provisória para proibir a exploração e a publicidade das apostas esportivas e jogos online no país.
6x1, renda e segurança pública
Para o segundo turno, Lula mudou a sua estratégia de campanha. Chegou a dizer publicamente que, no primeiro turno, teve a campanha menos organizada das suas disputas presidenciais.
Recalculou a rota, subiu o tom, adotando uma postura mais crítica ao adversário, com publicações mais agressivas e vídeos menos produzidos, gravados em formato “selfie”, para ampliar a sensação de proximidade com o eleitor.
O fim da escala 6x1, aprovado no Senado no dia 14 de outubro, foi uma das principais bandeiras do candidato durante o segundo turno. A mudança entra em vigor já em dezembro, com carga semanal máxima de 42 horas e dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.
Em setembro, o governo ainda anunciou um aumento no valor do benefício do Bolsa Família, que passou de R$ 600 para R$ 691, com o primeiro pagamento feito na semana anterior ao segundo turno.
Na reta final, Lula sancionou um pacote para os MEIs (microempreendedores individuais), incluindo perdão de dívidas, aumento do teto para R$ 140 mil e contratação de até dois empregados. O candidato também enviou uma proposta ao Congresso Nacional que garante transporte público gratuito no país aos fins de semana.
Ainda na área social, Lula defendeu a continuidade e a ampliação de programas comoMinha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia, Mais Médicos e Farmácia Popular.
A segurança pública também ganhou espaço na campanha. Com a discussão da PEC da Segurança, cuja votação foi deixada para depois das eleições, o programa de governo repercutiu a ideia de criar um ministério voltado especificamente para a área. Também foi pauta a ampliação dos investimentos federais na área, com previsão de repasses a estados e municípios.
Em seus discursos, Lula colocou o combate à violência contra as mulheresentre as prioridades e defendeu políticas para ampliar a autonomia econômica feminina e enfrentar o feminicídio.
Quem é Lula
Lula nasceu em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, no interior de Pernambuco. Ainda criança, mudou-se com a família para São Paulo e começou a trabalhar aos 12 anos. Mais tarde, formou-se torneiro mecânico.
Entrou para o movimento sindical e, em 1975, foi eleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Ganhou projeção nacional ao liderar as greves de trabalhadores do ABC Paulista no fim da década de 1970 e início dos anos 1980.
Em 1980, Lula ajudou a fundar o PT (Partido dos Trabalhadores). Seis anos depois, foi eleito deputado federal por São Paulo e participou da Assembleia Nacional Constituinte, responsável pela elaboração da Constituição de 1988.
Em 1989, disputou pela primeira vez a Presidência da República e perdeu para Fernando Collor de Mello no segundo turno.
Nas duas eleições seguintes, em 1994 e 1998, voltou a concorrer ao Planalto, sendo derrotado em ambas por Fernando Henrique Cardoso(PSDB).
Lula chegou à Presidência só na quarta tentativa. Em 2002, derrotou José Serra(PSDB) no segundo turno e iniciou o primeiro mandato em janeiro de 2003.
Quatro anos depois, foi reeleito ao vencer Geraldo Alckmin, então no PSDB, que anos mais tarde se tornaria seu vice-presidente.
Os dois primeiros governos de Lula foram marcados pela expansão de programas sociais, como o Bolsa Família, pela valorização do salário mínimo e por um período de crescimento econômico. O segundo mandato também enfrentou os efeitos da crise financeira internacional de 2008.
Lula deixou a Presidência no fim de 2010 e apadrinhou Dilma Rousseff (PT), sua ex-ministra da Casa Civil, eleita naquele ano e reeleita em 2014.
Anos depois, o petista tornou-se um dos principais alvos da Operação Lava Jato. Em 2017, foi condenado pelo então juiz Sergio Moro no caso do triplex do Guarujá e, posteriormente, também recebeu condenação no caso do sítio de Atibaia.
Lula ficou preso entre abril de 2018 e novembro de 2019 e não pôde disputar a eleição presidencial de 2018.
Em 2021, o STF (Supremo Tribunal Federal) anulou as condenações ao entender que a Justiça Federal do Paraná não tinha competência para julgar os processos. Com a decisão, Lula recuperou os direitos políticos e voltou a ficar elegível. O plenário do Supremo confirmou a anulação das condenações.
Em 2022, Lula disputou novamente a Presidência, desta vez tendo Geraldo Alckmin como candidato a vice. O petista derrotou o então presidente Jair Bolsonaro no segundo turno e voltou ao Palácio do Planalto em janeiro de 2023.
Vice-presidente
Geraldo Alckmin (PSB) foi reeleito vice-presidente da República na chapa de Lula.
Médico e ex-governador de São Paulo, Alckmin foi adversário de Lula na eleição presidencial de 2006, quando disputou o Planalto pelo PSDB e foi derrotado pelo petista no segundo turno.
Os dois se aliaram em 2022, quando Alckmin deixou o PSDB, filiou-se ao PSB e foi escolhido como candidato a vice na chapa de Lula.
Além da Vice-Presidência, Alckmin ocupou, durante o terceiro governo Lula, o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
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