
Regeneração – A Rádio Tribuna FM recebeu, na manhã da última terça-feira (25), os feirantes Sâmia Nonata e Juniel “da Cebola”, representantes da classe trabalhadora do mercado público de Regeneração. Durante a entrevista, conduzida pelo radialista Tarcísio, eles relataram profunda insatisfação com as reformas realizadas pela Prefeitura e com a instalação de bancas padronizadas, medidas que, segundo a categoria, foram impostas sem qualquer diálogo.
A falta de comunicação e as mudanças obrigatórias na estrutura da feira desencadearam um conflito que vem ganhando força na cidade.
Decisões impostas pela Prefeitura iniciam o conflito
O impasse começou há cerca de quatro meses, quando a administração do prefeito Eduardo Carvalho, o Seu Dua, determinou a retirada das tradicionais barracas que ocupavam a frente do Mercado Público, no centro da cidade. Os feirantes foram deslocados provisoriamente para a Praça Firmina Buji, com a promessa de que logo ocupariam um galpão coberto e estruturado.
O galpão foi concluído, mas a solução apresentada gerou revolta: bancas padronizadas de apenas dois metros, consideradas insuficientes para acomodar o volume de mercadorias de trabalhadores que há décadas utilizam bancas de seis a oito metros.
“Fomos pegos de surpresa”: feirantes denunciam ausência total de diálogo
Segundo Sâmia e Juniel, nenhuma reunião, consulta pública ou conversa prévia foi realizada antes da fabricação das novas bancas. Eles afirmam que toda a estrutura foi planejada e instalada sem participação da categoria.
“Fomos pegos de surpresa. Nossas bancas têm de seis a oito metros. Não existe condição de trabalhar com apenas dois metros, muito menos colocar mercadoria no chão”, declarou Sâmia.
A feirante ainda classificou a postura da gestão como “ato de ditadura”, criticando a falta de abertura para sugestões.
Proibição das bancas próprias acirra ainda mais a crise
Os feirantes denunciam que a Prefeitura pretende proibir o uso das bancas tradicionais, muitas delas pertencentes às famílias há gerações, obrigando a utilização exclusiva das novas estruturas padronizadas.
Juniel destacou a gravidade da medida:
“Querem que a gente bote mercadoria no chão. Isso é falta de higiene, falta de respeito e inviabiliza o nosso trabalho.”
Condições precárias no local provisório
Há mais de 90 dias, os trabalhadores permanecem improvisados na Rua Firmina Bugi, onde enfrentam:
• forte calor
• falta de água
• ausência de estrutura adequada
• risco para armazenamento das mercadorias
Segundo eles, a situação vai além da estética e compromete diretamente a dignidade e a sobrevivência econômica dos feirantes.
Feirantes organizam reação e vão entregar abaixo-assinado
Durante a entrevista, Sâmia leu um abaixo-assinado que está sendo recolhido entre os trabalhadores. O documento solicita:
• revisão imediata do tamanho das bancas
• reconhecimento das necessidades específicas de cada feirante
• abertura de diálogo com a Prefeitura
O manifesto será encaminhado ao gabinete do prefeito e à Câmara Municipal ainda esta semana.
Impactos para toda a cidade e região
Os feirantes alertaram que as medidas da Prefeitura prejudicam não apenas os trabalhadores, mas toda a cadeia econômica que depende da feira, incluindo:
• caminhoneiros
• mototaxistas
• produtores rurais
• consumidores de Regeneração e cidades vizinhas, como Amarante
“Se diminuirmos nossas mercadorias, todo mundo perde. A feira é a alma do comércio local”, afirmou Juniel.
Expectativa por resposta e risco de novos conflitos
O radialista Tarcísio ressaltou que a rádio continuará aberta para ouvir tanto a categoria quanto a gestão municipal. No entanto, os feirantes alertaram que, sem diálogo, o problema pode se agravar já no próximo sábado, dia de maior movimento na feira.
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