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Vítimas de técnica de enfermagem presa por suspeita de golpes relatam como eram abordadas; comadre estima prejuízo superior a R$ 300 mil

Em entrevista ao Canal 121, três mulheres contam que Patrícia Vieira da Silva alegava estar com câncer para conseguir dinheiro, chorava ao pedir ajuda e também dizia que a mãe estava doente e que sofria ameaças de facções criminosas; mais de dez pessoas t

30/10/2026 às 18h19 Atualizada em 30/10/2026 às 18h27
Por: Redação
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Patrícia Vieira (Imagem: Reprodução/Redes Sociais)
Patrícia Vieira (Imagem: Reprodução/Redes Sociais)

A prisão da técnica de enfermagem Patrícia Vieira da Silva, moradora de São Pedro do Piauí, suspeita de aplicar golpes financeiros contra colegas de profissão, amigos e pessoas próximas, revelou uma série de relatos de vítimas que afirmam ter sido enganadas por meio de histórias envolvendo supostos problemas de saúde e dificuldades financeiras.

Presa na manhã da última quarta-feira (28), no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), onde trabalhava, Patrícia é investigada por suspeita de estelionato. Segundo as denúncias, ela procurava pessoas próximas alegando estar com câncer e precisar de dinheiro para realizar cirurgias, exames e tratamentos. Em algumas ocasiões, também dizia que a própria mãe estava doente e precisava passar por procedimentos médicos.

O Canal 121 conversou com três mulheres que afirmam ter sido prejudicadas financeiramente pela técnica de enfermagem. Os relatos apresentam situações semelhantes: Patrícia procurava as vítimas em momentos de desespero, frequentemente chorando, e contava histórias que despertavam a solidariedade e a confiança das pessoas. Algumas chegaram a fazer empréstimos bancários em seus próprios nomes para ajudá-la.

De acordo com os levantamentos e relatos recebidos pela reportagem, mais de dez pessoas teriam sido prejudicadas pela investigada. Além de alegar que estava com câncer, Patrícia também teria afirmado que estava sendo ameaçada por integrantes de facções criminosas e que precisava de dinheiro para resolver problemas relacionados às supostas ameaças.

Amiga e comadre de São Pedro do Piauí calcula prejuízo superior a R$ 300 mil

Um dos relatos mais graves é o de Antônia Matos, moradora de São Pedro do Piauí, agente comunitária de saúde no município e técnica de enfermagem no Hospital Areolino de Abreu, em Teresina. Ela era amiga e comadre de Patrícia e afirma que confiava na técnica de enfermagem quando começou a ajudá-la financeiramente.

Segundo Antônia, o primeiro pedido de ajuda ocorreu em maio de 2024. Na ocasião, Patrícia afirmou que estava com câncer em uma região abaixo do peito e precisava realizar uma cirurgia de urgência. Chorando e demonstrando desespero, convenceu a amiga a fazer um empréstimo de R$ 41.335,00 no Nubank, dividido em 48 parcelas de R$ 2.804,41.

Em outubro do mesmo ano, Patrícia voltou a pedir ajuda, dessa vez alegando que já havia realizado a cirurgia e precisava de dinheiro para continuar o tratamento de quimioterapia. Antônia fez outro empréstimo, também no Nubank, no valor de R$ 6.190,53, parcelado em 36 vezes de R$ 281,17.

De acordo com a vítima, Patrícia pagou somente 12 parcelas de cada um desses dois empréstimos e depois deixou de cumprir os compromissos.

A situação se agravou quando a investigada passou a solicitar cartões de crédito da amiga. Em uma das ocasiões, pediu o cartão do Banco do Brasil alegando que precisava comprar uma televisão. Antônia emprestou o cartão e Patrícia realizou uma compra de mais de R$ 4 mil em uma máquina de cartão.

Posteriormente, voltou a pedir o cartão, dessa vez afirmando que precisava comprar alimentos para casa. Entretanto, segundo Antônia, a operação foi realizada em uma máquina em Teresina, e não para a finalidade apresentada. Nessa segunda situação, Patrícia chegou a pagar uma parte do valor.

A vítima também afirma que foi convencida a realizar um empréstimo consignado e uma renovação de crédito no valor de R$ 64.816,00, com 84 parcelas de R$ 1.692,64.

Segundo Antônia, Patrícia ainda tentou convencê-la a contratar um empréstimo CDC, fazer um Crediamigo no Banco do Nordeste e abrir um cartão de crédito em seu nome em um banco digital. Também teria tentado convencê-la a fazer um empréstimo utilizando o nome do marido da vítima. Todas essas últimas tentativas foram recusadas por Antônia.

Outro episódio relatado pela vítima envolve supostas ameaças de facções criminosas. Patrícia teria afirmado que estava sendo ameaçada e utilizado a situação para tentar conseguir mais dinheiro.

Diante do acúmulo das dívidas, Antônia conta que chegou a vender cabeças de gado e retirar dinheiro que mantinha na poupança para tentar quitar os compromissos financeiros e evitar que seu nome fosse negativado.

Antônia estima que o prejuízo total provocado pela situação ultrapasse R$ 300 mil, considerando os empréstimos, encargos financeiros e demais compromissos assumidos em decorrência dos pedidos de ajuda.

Técnica de enfermagem fez empréstimo de R$ 16 mil, mas dívida chegaria a R$ 53 mil

Outra vítima ouvida pelo Canal 121 foi Francisca Érika, técnica de enfermagem que trabalhou com Patrícia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital HPM, em Teresina. As duas mantinham uma relação de amizade.

Segundo Francisca Érika, Patrícia foi até ela afirmando que estava com câncer e precisava de dinheiro para continuar o tratamento. Inicialmente, a colega recusou o pedido, mas Patrícia teria insistido e, em determinado momento, pedido o celular da vítima.

De acordo com o relato, a própria investigada acessou o aplicativo bancário e realizou uma operação de empréstimo de aproximadamente R$ 16 mil no Banco do Brasil. O valor total a ser pago pela vítima, considerando as parcelas e os encargos, chegaria a aproximadamente R$ 53 mil.

Francisca Érika afirma que começou a pagar as primeiras prestações, mas Patrícia deixou de cumprir o combinado e não continuou pagando os valores.

A técnica de enfermagem informou que denunciou o caso às autoridades ainda no ano passado e que existem vários boletins de ocorrência registrados por diferentes pessoas que afirmam ter sido prejudicadas pela investigada.

Outra vítima relata prejuízo de R$ 18 mil após sucessivos pedidos de dinheiro

A terceira mulher ouvida pelo Canal 121 foi Adelina Patrícia, também técnica de enfermagem e moradora de Teresina.

Ela contou que conheceu Patrícia no ambiente de trabalho, quando as duas passaram a atuar em uma  UTI, no final de 2023. Os primeiros pedidos de dinheiro teriam começado em agosto daquele ano.

Na ocasião, Patrícia alegou que sua mãe estava com um problema cardíaco e precisava realizar um cateterismo. Comovida com a situação, Adelina emprestou R$ 1 mil. Posteriormente, emprestou mais R$ 600.

Em 2025, Patrícia voltou a procurá-la, dessa vez afirmando que estava com câncer na tireoide e precisava realizar o tratamento na rede particular.

Segundo Adelina, a investigada pediu R$ 4 mil, valor que chegou a ser devolvido. Depois, solicitou outros R$ 6 mil, com a promessa de pagar em prestações, mas quitou apenas uma parte.

Os pedidos continuaram. Patrícia solicitou mais R$ 5 mil e, em outra ocasião, telefonou chorando, pedindo mais R$ 4 mil.

Quando a situação veio à tona e as vítimas começaram a perceber os prejuízos, Adelina calculou que havia perdido aproximadamente R$ 18 mil.

Investigada alegou vício em jogos de azar durante depoimento

Além dos relatos das vítimas, informações da investigação policial apontam que Patrícia Vieira foi indiciada por estelionato no dia 8 de maio deste ano, após inquérito conduzido pelo delegado Bruno Luiz da Costa.

Em um dos procedimentos, uma vítima relatou ter contraído empréstimos que totalizavam aproximadamente R$ 112 mil a pedido da investigada, sob a justificativa de que ela precisava de dinheiro para exames, cirurgia e tratamento contra o câncer. Os valores foram contratados entre maio e dezembro de 2024, nos bancos Nubank e Banco do Brasil.

Em depoimento à Polícia Civil, Patrícia confirmou que recebeu os valores emprestados pela amiga, mas atribuiu as dificuldades financeiras ao vício em jogos de azar, incluindo o chamado ‘Jogo do Tigrinho’.

A investigada alegou que perdeu o controle das finanças, acumulou dívidas e não conseguiu continuar pagando as parcelas dos empréstimos. Também afirmou que tentava resolver a situação financeira, inclusive colocando um imóvel da família à venda.

No interrogatório, negou ter utilizado os dados da vítima para tentar contratar outros empréstimos.

Após a conclusão do inquérito, o delegado formalizou o indiciamento por estelionato e encaminhou o relatório ao Poder Judiciário. Posteriormente, em 28 de agosto, o promotor Carlos Rogério Beserra da Silva solicitou o retorno dos autos à autoridade policial para a oitiva de cinco testemunhas indicadas pela vítima.

Prisão no HUT e suspeita de participação do marido

Patrícia Vieira foi presa na manhã da última quarta-feira (28), no Hospital de Urgência de Teresina (HUT), onde mantinha vínculo profissional.

Segundo informações do delegado Adalberto Paulo, da 2ª Delegacia Seccional, a técnica de enfermagem é suspeita de enganar familiares, colegas de trabalho e pessoas próximas utilizando falsas histórias sobre uma suposta doença grave para conseguir dinheiro.

O Canal 121 também recebeu informações de que o marido de Patrícia é suspeito de dar apoio às ações atribuídas a ela. Essa possível participação deverá ser esclarecida pelas autoridades responsáveis pela investigação, não sendo possível, até o momento, afirmar eventual responsabilidade criminal dele.

O caso envolve relatos de diferentes vítimas, empréstimos bancários, cartões de crédito, transferências e sucessivos pedidos de dinheiro. A dimensão dos prejuízos ainda deverá ser apurada pela Polícia Civil.

As três mulheres ouvidas pela reportagem relatam que confiaram na amizade e nas histórias apresentadas por Patrícia, principalmente quando ela dizia estar enfrentando um câncer e precisava de ajuda urgente para continuar o tratamento.

A prisão da técnica de enfermagem representa mais um desdobramento das investigações, que buscam esclarecer a quantidade de pessoas prejudicadas, os valores envolvidos e se outras pessoas tiveram participação nos fatos.

 

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